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Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), 10% da população é portadora de limitações que impedem uma plena integração na respectiva sociedade.
Em Portugal, estudos recentes estimam que o número de pessoas com incapacidades cognitivas, motoras e/ou sensoriais ronda os 600 mil.
Os Estados têm vindo a criar leis de apoio às pessoas portadoras de qualquer deficiência, de modo a torná-las cidadãos activos. No plano jurídico, Portugal está ao nível dos países da União Europeia.
Contudo, na prática, a situação é confrangedora.

Sabemos, por experiência própria, que as leis não são correctamente aplicadas e, com frequência, são de todo ignoradas: na educação, no trabalho, no lazer, num quotidiano carregado de obstáculos.
Sabemos, por experiência própria, que esta situação não resulta apenas de questões financeiras, mas é consequência, sobretudo, de factores culturais e sociais.
Sabemos, por experiência própria, do frequente desrespeito pela dignidade da pessoa, sejam quais forem as suas limitações.
Sabemos, por experiência própria, que a grande maioria das famílias se fecha sobre si, a proteger o/a filho/a que não tem lugar.
Sabemos, por experiência própria, que muitos pais lutam isoladamente, quando muito em pequenos grupos, luta essa que vai esmorecendo com o passar dos anos.

MAS
Acreditamos que todo o indivíduo tem direito a um projecto de vida, que o realize como pessoa. Acreditamos no apoio incansável dos pais à felicidade dos filhos, muito embora não saibam, tantas vezes, para onde se virar e o que fazer.

Acreditamos que unindo as forças dos afluentes se constrói um rio.

Assim surge Pais em Rede, movimento de pais e responsáveis pela pessoa com necessidades especiais, constituindo-se numa rede a nível nacional.

Queremos ser a voz activa de todas as famílias “especiais”.
Queremos actuar de forma transversal, cooperando com as estruturas existentes, públicas ou privadas.
Queremos colher testemunhos directos, com o objectivo de elaborar um diagnóstico real da situação.

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